16/11/2008

O.C.N.I

Os monumentos têm por objectivo o recordar e/ou comemorar uma data relevante, tal como homenagear uma figura proeminente na história de uma dada sociedade. O busto do “Conselheiro Ayres de Ornelas”, situado no centro da vila da Camacha, dá-se por intermédio de um destes propósitos. Mas qual será a sua real pertinência?
Enquanto habitante natural desta vila, questionava-me sobre a importância sócio – cultural desta personalidade? Que espécie de conselheiro se tratava?
 Em certa medida estas perguntas surgiam pelo facto de não haver informação indexadas a este objecto – espécie de sinopse normalmente inscrita numa tabuleta que revela a importância de tal homenagem – e a que existe, é quase imperceptível, pois o tempo desgastou-a.
Deste facto ocorre a intervenção intitulada O.C.N.I (Objecto cultural não identificado). Com esta intervenção de cariz específico, tentamos alertar as entidades locais e responsáveis pelo património, sobre a importância de identificar os objectos com interesse cultural. Pois de outra forma, estes, perdem a sua função, tanto para aqueles que convivem diariamente com tal objecto, tal como, para os forasteiros, na sua grande maioria turistas, que tendencialmente visitam este local pela sua componente histórica.

Neste sentido optamos por ocultar o referido monumento através de fita de sinalização em polietileno branca. Ao cobrirmos, com uma cor neutra, a sua totalidade, obtemos o seu oposto, ou seja, destacamos a figura do espaço e como tal conferimos-lhe importância redobrada. Posteriormente utilizamos esta mesma fita e “desenhamos” através do espaço, um espécie de circuito, que parte do referido monumento e percorre a artéria principal da vila. Por esta via focamos outros tantos objectos/edifícios com relevância cultural. O seu culminar na "Quinta das Almas", local no qual esta personalidade nasceu e viveu parte da sua vida, pretende desta maneira levar o transeunte a percorrer o espaço entre a sua celebração pública e o seu local de nascimento.
À parte desta intervenção realizei uma investigação no Arquivo Regional da Madeira – pelo facto de não haver nos arquivos da biblioteca da Casa do Povo da Camacha, Junta de Freguesia da Camacha ou Câmara Municipal de Santa cruz, documentação da sua vida e obra – onde deparamos-nos com uma panóplia de documentos que nos revelaram no só a importância desta figura na Historia de Portugal, bem como o papel importante da sua família no desenvolvimento desta vila.
Volvidos três anos, nada foi feito para colmatar esta situação, que é no meu ponto de vista, deveras importante para nos situarmos e nos referenciarmos culturalmente perante os demais locais. Tal como sucede nesta vila, existe em quase todas as regiões do país uma espécie de amnésia por parte das entidades competentes, no sentido de tratar e catalogar o património cultural edificado. É importante, numa sociedade cada vez mais globalizada, não deixarmos cair no esquecimento aquelas referências específicas das nossas raízes.
Se acaso o leitor estiver interessado em saber um pouco mais sobre esta personalidade, dirija-se à casa do povo da Camacha, lá poderá encontrar informações mais detalhadas sobre este assunto.









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